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Mostrando postagens de Novembro, 2016

Juristocracia que respaldou o golpe quer dar um novo golpe

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Nas democracias, a mudança do poder político só é legítima pela via eleitoral. Golpe é a mudança do poder político, de forma repentina, sem a deliberação ou o respaldo popular.
Em 1964, o movimento golpista se deu, com violência; e o protagonismo foi dos militares. Em 2016 (com violência simbólica), o aparente protagonismo do parlamento no golpe só foi possível pelo evidente respaldo do judiciário. Em ambos os casos, mídia e setor financeiro foram os avalistas das rupturas democráticas.
Vamos agora a outro ponto e sem rodeios. Os poderes executivo e legislativo, por mais complexos e corruptos que sejam, estão referenciados e respaldados no voto popular. Políticos estão no poder hoje; podem não estar amanhã. Dependem e se submetem à vontade do cidadão/eleitor.
Por outro lado, juízes, promotores, policiais não têm mandato. Chegam  ao poder sem respaldo popular. Talvez, por isso, sintam-se distantes do povo (seus valores, necessidades e desejos).

Individualmente, existem excelentes juízes, …

Professores da PUC Minas reiteram apoio à ocupação na Universidade

À Comunidade Acadêmica da  Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. 
Nós, professores da PUC Minas abaixo assinados, vimos reiterar nosso concreto apoio aos estudantes desta universidade que, de forma madura e responsável, se engajam na pauta de reivindicações do Movimento de Ocupação de Escolas e Universidades, no atual momento político do Brasil. 

Declaramos que os estudantes da PUC Minas que assumem a ocupação do prédio 47 do campus Coração Eucarístico têm demonstrado, desde o início, profunda responsabilidade e respeito para com todos que ali trabalham e transitam, além de forte zelo no que concerne ao espaço físico do prédio ocupado. 

Como pode ser constatado in loco, o referido prédio encontra-se limpo, não apresenta obstáculos intransponíveis para o trânsito daqueles que por ali circulam nem perturbações que signifiquem o impedimento da realização das aulas e de outras atividades acadêmicas e administrativas que, no local, sejam desenvolvidas. 

Além de apoiarmos a causa pol…

MANIFESTO DA PASTORAL DA JUVENTUDE DA ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE SOBRE O MOMENTO POLÍTICO ATUAL

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NENHUM DIREITO A MENOS
Belo Horizonte, 21 de novembro de 2016. “Caminhar pelas estradas seguindo a ‘loucura’ do nosso Deus, que nos ensina a encontrá-Lo no faminto, no sedento, no maltrapilho, no doente, no amigo em maus lençóis, no encarcerado, no refugiado e migrante, no vizinho que vive só. Caminhar pelas estradas do nosso Deus, que nos convida a ser atores políticos, pessoas que pensam, animadores sociais; que nos encoraja a pensar uma economia mais solidária. Em todos os campos onde vos encontrais o amor de Deus convida-nos a levar a Boa Nova, fazendo da própria vida um dom para Ele e para os outros.”
(Papa Francisco, Cracóvia, Campus Misericordiae, 30/07/2016)
A Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Belo Horizonte manifesta sua posição a respeito do momento político pelo qual atravessa o Brasil. Percebemos que muitos avanços e conquistas das lutas do povo brasileiro, no sentido de reduzir a desigualdade social e a pobreza, foram abandonados a partir do golpe legislativo apoiado…

Os micropoderes feministas de uma revolução silenciosa

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Há algo fantástico acontecendo nesse país, mais uma vez dominado por uma camarilha patriarcal e patrimonialista, sem ética e pudor. Vejo uma enorme resistência que se alastra através da força, da coragem e da garra feminina.
Nos últimos dias, acompanhei algumas ocupações estudantis. Participei de seminários com membros doMovimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), doMovimento de Mulheres Olga Benário, daUnião da Juventude Socialistae doLevante Popular da Juventude. O que se destaca nesses movimentos? A presença e a liderança das mulheres.
É incrível ouvir, ver e sentir a ação política de mulheres, majoritariamente jovens, de todos os credos, etnias e orientações sexuais na articulação de movimentos que transcendem as organizações tradicionais da sociedade (partidos, corporações, sindicatos, igrejas, escolas).
Nesses movimentos, percebe-se com clareza como as mulheres têm uma extraordinária capacidade de agregar e unir forças, uma enorme resiliência para enfrentar com fé, afeto…

Professores da PUC Minas manifestam-se a favor das ocupações, contra PEC 55, reforma do ensino médio e escola sem partido

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Em Assembleia ocorrida na noite desta terça-feira, 08.11, professores da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) aprovaram por unanimidade um manifesto a favor das ocupações estudantis, e contra a PEC 55, a reforma do ensino médio e o projeto escola sem partido.
No documento, os docentes informam que  "decidimos trazer a público este manifesto, em que apresentamos a posição unânime dos professores presentes, relativamente à ocupação estudantil nesta Universidade, bem como acerca das razões que embasam movimentos semelhantes em todo o País: não podemos nos omitir em face dos graves riscos e consequências que se delineiam com a tentativa, por parte do Governo Federal, de que seja aprovada a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55/2016, que se encontra no Senado, tendo recebido o parecer de inconstitucional pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas da Consultoria Legislativa da casa, após aprovada na Câmara dos Deputados, como PEC 241."
Numa defesa à educação, os…

A primavera estudantil e o terrorismo de estado

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Um jogo perverso, urgido no submundo das disputas reais e simbólicas pela coalizão golpista, está em pleno andamento desde que os estudantes brasileiros resolveram assumir o protagonismo da disputa política em curso.

Todos sabemos que o principal objetivo da camarilha que tomou o poder e quer consolidar um governo de e para poucos é liquidar o "inimigo", ainda que sejam apenas estudantes e jovens. Nisto constitui, fundamentalmente, a empreitada golpista. 
Desde as eleições de 2014, há imenso esforço para construir um discurso da eliminação do outro, do diferente, começando pelos partidos políticos, depois os líderes populares, os movimentos sociais e, agora, os estudantes que espraiam uma onda de resistência democrática e esperança equilibrista pelo país.
A articulação perversa de viés fascista tem na mídia o principal front na batalha do discurso da eliminação do outro. Como todos sabemos, uma das principais características do fascismo é o uso da comunicação de massa como inst…

Movimentos sociais do Brasil e do mundo encontram-se com o Papa Francisco

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Lideranças brasileiras participam, nesses dias, do Encontro dos Movimentos Sociais em diálogo com o Papa Francisco. Muito simbólico o fato de o encontro ocorrer um ano depois da tragédia anunciada da Samarco/Vale/BHP, em Mariana (MG).

Cerca de 150 representantes de movimentos e organizações sociais de todo o mundo se reúnem esta semana na Cidade do Vaticano para o III Encontro Mundial dos Movimentos Populares em diálogo com o Papa Francisco. Ao final do evento, que começou nessa quarta-feira (2) e vai até o dia 5 de novembro, haverá uma audiência com o Papa Francisco. Dentre as delegações de 65 países, cinco entidades brasileiras — o Conselho de Entidades Negras (Conem), a Central dos Movimentos Populares (CMP), o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e a União Nacional Por Moradia Popular (UNMP) — representam o país no encontro. Importantes nomes de ativistas pela Justiça Social como o ex-presidente uruguaio José Mujica e o religioso itali…

Exclusivo: bandido bom é bandido vivo

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POR: Pe. Magno Marciete do Nascimento Oliveira
No dia de finados, dia 02, a Folha de São Paulo (aqui) divulgou pesquisa sobre uma frase que já faz parte da cultura tupiniquim (espero sinceramente estar exagerando): “bandido bom é bandido morto”. Já são mais brasileiros adeptos dessa convicção do que os contrários. Sem apreciar aqui os números da pesquisa e nos voltando para o que isso significa, não é para se assustar com o resultado, pois se trata de mais um fio de dessa trama mais complexa de construção e irradiação do social que no Brasil vige.
Como não lembrar das investidas para redução da maioridade penal, da bancada da bala e do fim da presunção de inocência? Tudo faz parte da mesma gramática que impõe uma pauta conservadora e constrói símbolos violentos para gerir a sociedade. Vemos algo, assim, bem tecido, para que o enunciado tenha força real, eficiente, que possa dar espaço para a vingança na contramão do processo civilizatório. Por essa lógica, o bandido, o criminoso deve se…

Finados: a certeza da vida

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Por: Pe. Magno Marciete do Nascimento Oliveira
Ter domínio de alguma certeza é desejo natural do ser humano. Vivemos à cata de certezas. Elas nos tranquilizam, dão a sensação de segurança. Ter certeza é uma maneira mais branda de dizer que temos uma verdade. Daí que nos caminhos tão cheios de certezas que percorremos, por aí se costuma dizer que nossa única certeza é a morte. Todas as outras coisas, então, ficam lançadas no campo das incertezas.
A experiência comum, mais simples, mostra que tudo que tem vida morre. Morre tudo ao nosso redor, não simplesmente nós. Dos inanimados aos animados tudo se desgasta, deixar de ser. Olhar para a vida é olhar para ela passando em sua transitoriedade. No cotidiano, o olhar fixo sobre um corpo inerte traz à tona essa realidade e inculca, por isso, essa convicção. De tal forma isso acontece que, mesmo não pensado a todo instante na morte, descobrimo-nos perecíveis, frágeis e sempre a um passo dessa que seria a nossa verdade mais tangível. Conformados…