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Mostrando postagens de Outubro, 2016

Mais um "milagre" do Papa Francisco?

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Estou surpreso com uma nota publicada no Facebook da Arquidiocese de Salvador (abaixo). Nela, Dom Murilo Krieger, primaz do Brasil, não somente faz uma defesa contundente do posicionamento vigoroso da CNBB (desta semana) contra a PEC 241 (agora PEC 55, no Senado), como vai além. Diz, por exemplo, que "para o capital mundial, esta PEC é tudo o que ele gostaria de ver aprovado. Os bancos, que já ganharam muito nos últimos anos, vão ganhar ainda mais. Sobrará dinheiro para investirem na imprensa, dizendo que esse sacrifício é mesmo necessário para o bem "do Brasil".
Dom Murilo pergunta: "Se a PEC 241 é tão boa assim, porque seu conteúdo não foi colocado para a sociedade discutir? Por que foi aprovada pela Câmara Federal tão rapidamente? (Alguém se lembra de outra Proposta de Emenda à Constituição aprovada em tão pouco tempo?...)"
E o arcebispo de Salvador desafia: "chamar de marxista quem pensa diferente de nós é o mesmo que condenar Jesus por ter dito aos apó…

Numa republiqueta em frangalhos, a esperança que vem dos jovens

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Se não fosse trágico, seria cômico. O discurso oficial, velho e apodrecido, das instituições da república e da mídia oligopolizada tenta, a todo custo, propagandear uma pseudonormalidade enquanto o país pega fogo nas múltiplas reações contra um governo que não tem compromisso com o povo e o estado de direito e seus aliados no Congresso e no Judiciário.
Mais de 1100 instituições de ensino ocupadas; greves; uma estrondosa indignação contra os usurpadores nas redes sociais; uma população que se afasta da velha política e não cansa de mandar recados aos sabujos do dinheiro e do poder. E tudo parece normal: a mídia nativa pauta a "torta de berinjela" enquanto "la nave va".
O presidente-usurpador, esse vampiro à brasileira, tripudia dos trabalhadores e do povo, dentro do Palácio do Planalto, para o gozo dos perversos que sustentam a coalização golpista. Como escreveu recentemente o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, “quando autoridades se comportam como moleques, como …

Ouro de Tolo

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A pirotecnia – recurso utilizado em doses cavalares pelas elites, mídia e justiça desde 2014 - não resolve a decadência de um sistema apodrecido. Neste sentido, a mais recente pirotecnia, a prisão de Cunha, funciona como uma espécie de "ouro de tolo": esconde a motivação real, porque, muito provavelmente, será usada como lenitivo à prisão de Lula. Ademais, é uma tentativa de se passar à opinião pública a impressão que o judiciário é isento e isonômico e vivemos na normalidade democrática. Ou seja, trata-se de dar sobrevida a um governo golpista e um projeto de sociedade caquético, podre, elitista e excludente.Não nos iludamos nas promessas de falsos alquimistas. Após a carta publicada na Folha, nesta segunda, na qual o ex-presidente desafiou o judiciário da casa grande, não sobrou alternativa aos líderes inquisitoriais, muitos deles incrustados na justiça.E, a pesquisa de intenção de votos colocando Lula na dianteira da disputa em 2018, também divulgada nas redes sociais, pr…

O que nos diz o ronco (sufocante) das urnas?

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Apurados os votos, é hora de análises. Lembrando que análises são parciais e explicitam o ponto de vista do analista. Portanto, também são eivadas de intenções e intencionalidades. Isenção é conversa para boi dormir. Se existe, deve ser no mundo das ideias, de Platão.
1. O endireitamento da política: por mais paradoxal, o resultado das eleições é o oposto daquilo que os cidadãos mais almejam desde as manifestações de 2013, ou seja, a renovação na política. O Brasil que sai das urnas é um país de direita e conservador. O encolhimento do PT e a pouca, apesar de importante, expressividade dos demais partidos do campo à esquerda mostra que o triunfo momentâneo é do discurso e das práticas conservadores.
1.1. É óbvio que a criminalização da política em geral e do PT, em particular, contribuíram para esse resultado. A Operação Lava-Jato é questionável sob o ponto de vista jurídico, mas eficientíssima sob o ponto de vista política. Em relação à criminalização da política há que se destacar o p…