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Mostrando postagens de Agosto, 2016

Tchau, querida democracia!

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Tchau, querida democracia é o titulo do livro recém lançado do amigo e professor, o advogado criminalista Leonardo Yarochewsky. Um título muito oportuno para este 31 de agosto de 2016. Apesar do jogo jogado, este é o dia no qual um bando de impostores, em sua maioria com o rabo preso na lama da corrupção e no velho e carcomido discurso moralista dos sem-moral, mais uma vez, estuprou nossa Nação.  
Isso não é novidade na história deste país: senhores feudais, donos da Casa Grande, plutocratas infiltrados nos três poderes, coronéis da política, serviçais do capital, donos de oligopólios, segmentos poderosos de elites (econômicas, sociais, religiosas, intelectuais e políticas) e uma parcela significativa de privilegiados da classe média (azeda e ranzinza, nos dizeres de Darcy Ribeiro) sempre se associaram em diversos momentos (da nossa história, desde o Brasil colonial) para pilhar o erário e manter o povo simples na condição de escravos. 

É surreal. Mas, a maior ação contra a corrupção na…

Mídia, golpe e edição da política

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Por: Pe. Magno Marciete do Nascimento Oliveira Alguns comentários apareceram nas redes sociais observando que a mesma mídia que deu amplo espaço para a votação da câmara dos deputados e seu “circense” espetáculo, não foi capaz de fazer uma cobertura digna do momento histórico de Dilma apresentando sua defesa no senado. E mais uma vez constata os dois pesos e duas medidas habituais que acompanha o processo do impedimento da presidente. E não importa o quanto a defesa de Dilma possa representar para história do Brasil, para a grande mídia em geral tudo o que a mulher Dilma falar não tem importância alguma.
Nesse momento, Dilma precisa ser execrada pela mídia. Ela precisa desaparecer. A forma simples de fazer isso e não lhe dá holofotes. Quem não aparece na mídia não existe. Essa é maneira que a mídia tem de fazer sua edição da realidade, antes de editar nos seus estúdios. Primeiro se escolhe a realidade a ter foco, para existir ou não aos olhos de todos. Sem cobertura das tvs abertas é co…

Pe. Magno Marciete do Nascimento Oliveira: A política da fé

Por:Pe. Magno Marciete do Nascimento Oliveira Os dramas do impedimento da presidenta Dilma para o Brasil vão muito além da superficialidade do que se pode viver nas formalidades da política. Atingem, no caso da nossa nação, mais uma vez o coração do sentido da política para cada brasileiro e brasileira. O golpe contra a democracia perpetrado em Dilma, incide diretamente sobre uma visão social para o Brasil. O direitismo assume isso sem nenhum tipo de vergonha, na escola sem partido, na falta de incentivo à educação, na proposta de diminuir direitos de trabalhadores, na diminuição do SUS (entenda-se extinção) e pior: desqualifica a linguagem da esquerda enquanto linguagem que opta pelos mais fracos e excluídos.
O que tenta a direita, com isso, é acabar com uma narrativa que é essencial para a vida política, destruir a fé na capacidade de lutar por direitos, por igualdade. Escracham à luz do dia a defesa dos pobres como populismo barato e levantam a bandeira da tal eficiência de sua gestã…

O julgamento de Dilma está apenas começando

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Enganam-se os impostores que tomaram de assalto o poder acerca do término do julgamento da presidenta legítima Dilma Rousseff nestes dias. A farsa do jogo jogado - que se arrasta desde aquele momento patético no qual uma facção criminosa de corruptos admitiu o início do processo na Câmara Federal -, não terá seu ponto final com o veredicto de um Senado que, com um perfil similar ao da Câmara, é composto, majoritariamente, por políticos da pior qualidade. Uma charge, atribuída ao The New York Times desta semana (que ilustra este post), retrata bem o julgamento políticoem curso. Num patíbulo, Dilma é cercada (e julgada) por um bando de ratos escrotos.
A narrativa do golpe já está consolidada no exterior. Inúmeras evidências (a principal delas, a ausência retumbante dos líderes mundiais nos eventos olímpicos) dão conta que a comunidade internacional não engole goela abaixo a história contada a fórceps pelos pseudovencedores do golpe: o parlamento, majoritariamente formado  por ratazanas …

A festa acabou: das Olimpíadas e da Democracia

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Nos últimos catorze anos o Brasil viveu uma grande festa democrática. Inclusão social, eliminação da pobreza extrema, crescimento da economia, distribuição de renda, inúmeras conferências de políticas públicas, povo na rua protestando e reivindicando direitos. “Nunca antes na história desse país” se respirou tanta liberdade, participação, diversidade e múltiplas vozes e cores despontando de todos os cantos desse país. Era uma festa demasiadamente contagiante para os gostos de uma elite ranzinza e azeda, como dizia Darcy Ribeiro.
Os governos do PT, de Lula e Dilma, apesar das muitas desventuras, proporcionaram a maior e mais duradoura festa democrático-popular do Brasil.
Essa festa está no ocaso. Paradoxalmente, deu seus últimos acordes naquela celebração da diversidade cultural, quando do encerramento da grande confraternização universal por ocasião dos jogos olímpicos.
A Copa do Mundo e as Olimpíadas foram um sucesso. É claro que o Brasil tem muitos problemas. Mas, alegria e confratern…

Por que não comemoro o ouro da seleção masculina de futebol?

O Brasil é um país maravilhoso. Um povo bom. Uma cultura riquíssima. Muitos valores culturais e humanos. Porém, tem uma elite perversa. 
O futebol - uma "paixão nacional” - há algum tempo foi furtado pelos segmentos piores da nossa sociedade: a cbf, a globo, os patrocinadores, os jogadores milionários, os endinheirados. Tudo sendo transformado em mercadoria; puro consumo. 
Ouvir Galvão e Ronaldo falar na INSTITUIÇÃO SELEÇÃO BRASILEIRA me dá nojo... Me desculpem a franqueza.
E a paixão de uma nação passou a ser de e para poucos, nas arenas espetaculosas - desde a Copa - e nos canais fechados de TV. Quem estava torcendo, no velho Maraca, nessas Olimpíadas? Os brancos, ricos e poderosos que podem comprar ingressos caros; eventos para um público de elite. 
Em 1950, quando a seleção perdeu o final da Copa, era o povo que lotava o Maracanã. E o povo chorou... As fotos que registraram aquele momento mostram as múltiplas faces dos muitos brasis naquela ocasião... E agora? Quem estava lá?
A vi…

O que temer em Temer?

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É ingênuo pensar que Temer é o grande articulador e tem sob controle a empreitada golpista. Muito pelo contrário, a personalidade cambiante do interino é, ao mesmo tempo, o grande perigo para a democracia e a maior vantagem para a coalizão usurpadora. Não poderia haver um político mais “perfeito” para servir como preposto dos verdadeiros donos do poder e mentores do golpe.  
Explico. A coalizão golpista, como já refletimos várias vezes, é formada pelos segmentos historicamente comprometidos com um modelo de país que garante a cidadania para apenas 25% da população. São os coronéis da velha política (liderados por figuras como Aécio, FHC, Cunha, Renan e os líderes da bancada BBB – boi, bíblia e bala), os empresários com mentalidade colonial, a mídia manipuladora e a serviço do capitalismo internacional e amplos segmentos autoritários, elitistas e altamente conservadores do judiciário, ministério público (e outros grupos jurídicos) e da classe média saudosa dos privilégios da casa grande…

Resumo do golpe numa imagem

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Cícero, Catilina e os traidores do senado brasileiro

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Voltemos à Roma antiga. Estamos no ano de 63 a.C. Marcus Tullius Cicero, considerado o maior filósofo romano, tinha o cargo de cônsul, posto mais importante do Senado. Na ocasião, ele descobriu que um de seus colegas, o senador Lucius Sergius Catilina, organizava uma conspiração para assassiná-lo. O mentor do complô era um nobre arruinado por dívidas. Como sempre ocorre nas rodas do poder e da corrupção, Catilina contava com o apoio de outros homens ricos, brancos e militares que também tinham problemas financeiros e se articulavam  um golpe contra a República.
Ao ser informado dos planos de Catilina, Cícero convocou uma reunião do Senado e proferiu uma série de quatro discursos, que ficariam conhecidos como Catilinárias.
As Catilinárias são um exemplo de correção no exercício do poder público, dado que os discursos de Cícero passaram a ser referenciados sempre que um homem público atenta contra o interesse geral de uma Nação.
Nessa história do Senado romano, Cícero conseguiu sufocar a r…

No concerto das nações, o golpe foi explicitado

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O fato político mais relevante desses últimos dias não foi a revelação das propinas recebidas pelo interino e seu ministro das relações exteriores. Apesar do desdém da mídia nativa - manipuladora e venal -, o acontecimento mais importante, repleto de sentidos e significados, ocorreu na abertura dos jogos olímpicos, na última sexta-feira (05/08). Aos olhos do mundo, o golpe apareceu retumbante não nas vaias ao interino, mas na absoluta ausência de chefes de estado e de governo na cerimônia, no Maracanã (veja  também, aqui).
A disputa pela narrativa do golpe foi abafada violentamente no país. A coalização golpista - envolvendo líderes políticos, o Parlamento, a mídia, parte do empresariado, do judiciário e dos setores retrógrados da classe média - tentou a todo o custo impedir que os brasileiros percebessem o golpe à democracia, travestido no processo de impedimento de Dilma Rousseff. Pesquisas de opinião já comprovavam, na semana anterior, que o povo não engoliu o engodo. A rejeição ao …

Não nos iludamos com as vaias ao interino

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Confesso: ontem vibrei quando ecoaram as vaias ao interino, durante os 10 segundos de sua aguardada alocução na abertura das Olimpíadas. 
É sempre prazeroso ouvir uma retumbante desaprovação pública a um político que não tem nenhum apreço à democracia, nem respeito ao eleitor e suas escolhas.
Mas, não nos enganemos. Ontem, no Maracanã, o público que vaiou Temer é do mesmo perfil socioeconômico e demográfico daquele que há algum tempo vaiou e vomitou impropérios contra a presidenta legítima e constitucional, Dilma Rousseff. Naquela ocasião, as vaias e os xingamentos de um banco de imbecis e covardes escancaram para o mundo que os segmentos abastados e de classe média conservadora no Brasil não respeitam a democracia, os representantes legitimamente eleitos e, no caso, não escondiam o nível de misoginia, preconceito, ódio e deseducação dessa parte de endinheirados e escolarizados. Dilma comportou-se estoicamente. Temer, ontem, postou-se como os machões da política nacional que, quando - m…

Os hipócritas também pagarão a conta do golpe

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O colunista Janio de Freitas, em artigo publicado na Folha, escreveu “que o afastamento da presidente se faz em um estado de hipocrisia como jamais houve por aqui. (...) Uma hipocrisia política de dimensões gigantescas, que mantém o Brasil em regressão descomunal, com perdas só recompostas, se o forem, em muito tempo –as econômicas, porque as humanas, jamais.”
Os holofotes do jogo jogado do impeachment - desde o momento no qual um bandido, no comando da Câmara, com a conivência do Supremo, instalou o processo – estão todos voltados para o Congresso e, neste momento, no Senado, como se lá fosse o único palco dessa encenação ridícula. Mas, é preciso reconhecer que, não obstante o fato de termos um Parlamento majoritariamente ocupado por ratazanas, a falta de lideranças com credibilidade, respeito e reconhecimento nos campos político, econômico, social, religioso, artístico e intelectual impossibilitou uma saída democrática para a crise instalada desde 2013.
Sob o ponto de vista sociológic…