Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2016

O deus-dinheiro, o impeachment e a volta da caça às bruxas

Imagem
As novas ações midiáticas patrocinadas pela juristocracia tupiniquim (desta vez tendo à frente um pupilo da tresloucada autora do pedido de impeachment), recolocam no debate a questão acerca dos maiores interessados no golpe, esse estupro à democracia brasileira. Cada vez fica mais claro que, para além dos pastelões, corruptos e fanfarrões que abundam no Congresso e no governo interino, os verdadeiros interessados no imediato retorno de nosso país à velha categoria das repúblicas das bananas são os ricos e poderosos. Por isso, é fundamental entendermos o que está por detrás do jogo jogado do impeachment fajuto.
Giorgio Agamben, um dos principais intelectuais contemporâneos, professor em diversas universidades europeias e norte-americanas explicou, em entrevista recente (leia na íntegra, aqui), como funciona a atual fase do capitalismo (concentrador de riqueza, fundamentalmente rentista e excludente, que move todos os interesses, inclusive a determinar os rumos da política e da vida das…

A MISÉRIA DAS ELITES BRASILEIRAS

Imagem
Como naturalizar e não problematizar a imensa injustiça provocada pelas altíssimas taxas de juros e de spread bancário que oprimem toda uma população em favor de meia dúzia de banqueiros e especuladores? Como entender um golpe travestido de legalidade e abençoado pelos setores mais conservadores e retrógrados da sociedade, com a conivência cínica de instituições que, a princípio, deferiam se levantar contra toda afronta à Constituição ou a afronta à dignidade dos pobres?
         Jessé Souza, em sua mais recente obra A tolice da inteligência brasileira, ou como o país se deixa manipular pela elite (São Paulo: LeYa, 2015), nos ajuda a entender que a perfeita união entre o economicismo (“a crença explícita ou implícita de que a variável econômica por si esclarece toda a realidade social”) e o culturalismo conservador (uma ciência da ordem que existe para afirmar e legitimar o mundo como ele é) justificam as leituras dominantes e empobrecedoras do debate político brasileiro. Esse é um dos…

Ganhar as mentes e os corações e enterrar o golpe

Imagem
A história recente do Brasil mostra que é preciso convencer as mentes e amolecer os corações para que a indiferença em relação à desigualdade e injustiça social se transforme em ação política capaz de incidir nas mudanças institucionais.
Em 2002, Lula conseguiu convencer mentes e corações acerca da absurda convivência com a miséria e a corrupção naturalizadas em nossa sociedade. E foi eleito presidente. Naquele momento, o PT se tornou hegemônico na constituição de uma coalização mudancista.
Porém, ao longo dos anos o governo petista, embriagado pela mosca azul do poder, deixou-se contaminar, em parte, pelos maus-feitos historicamente perpetrados pelas elites econômicas e políticas deste país. Foi perdendo, paulatinamente, o apoio das esquerdas e daqueles segmentos progressistas que exigem ética e coerência no trato da coisa pública.
Desde 2013, com as jornadas e junho e  durante o processo eleitoral de 2014, numa disputa real e simbólica, observamos a tomada das ruas pelos setores mais c…

A mídia, o golpe e a pseudoguerra do bem versus o mal

Imagem
À medida que o poderio econômico foi dominando a mídia, muitos “profissionais da pena” foram se subjugando aos interesses patronais e outros se transformando em animadores de auditório. Parte do jornalismo, ator político relevante na formação da “opinião pública”, tem se contentado com o apequenado papel de ventríloquo.
Presenciamos no Brasil uma incestuosa relação no universo da comunicação de massa: de uma maneira geral, o jornalismo domado às conveniências do grande capital sucumbe aos ditames dos donos dos oligopólios empresariais e midiáticos que determinam o que deve ser pautado, como, quando, de qual forma, com qual recorte e viés, assim como o que deve ser publicado (melhor dizendo, publicizado — dado que a produção da notícia se transformou ora em mercadoria, ora em produto de entretenimento). Assim, o jornalismo dos grandes veículos de comunicação decompõe-se em espetáculo, muitas vezes grotesco, a ser vendido de forma sensacionalista, eivado de interesses de classe, para o d…

Quando não se quer discutir os direitos das mulheres - Por Pe. Magno Marciete do Nascimento Oliveira

Imagem
O fascismo no país é cada vez pior. O tempo todo tenta desqualificar qualquer luta social com os mais estapafúrdios argumentos, na intenção de fazer a população entrar em perturbação mental, caindo em quadro esquizoide (apatia, falta de interesse em relações sociais, no caso aqui analogicamente por vida política). A patologia, porém, serve só para os fatos conclamados em nome das minorias e para a retirada de direitos, como no caso do golpe com seu efeito cascata, cadenciado pela forma como as notícias e o debate público são conduzidos pelos donos da informação. Lamentável.
         Diante do estupro coletivo, fato questionado com desfaçatez ultimamente, de uma menina de 16 anos, um soco no estômago de qualquer pessoa um pouco dotada de sensibilidade, moveu-se a sociedade, mexeu-se no quadro esquizoide. As vozes feministas deram seu grito antes da mídia noticiar qualquer coisa, pois só as redes sociais deram notoriedade ao grotesco de um vídeo divulgando o estupro como se foss…

Um sentido para a esquerda. Por: Pe. Magno do Nascimento Oliveira

Imagem
No Brasil vivemos da falta de sentido. Isso é bastante sério. Isso significa que não temos muita coisa em que acreditar, que a vida na melhor das hipóteses segue sem ânimo e sem destino, mendigando sobras de sentido pelas ruas de uma história escrita por quem nunca se preocupou realmente por constituir uma nação. Sim. Desde a chegada das caravelas por aqui, a questão do sentido foi relegada a segundo plano. O que se poderia querer dar para uma terra que enchia os olhos da ganância e alimentava a sede de explorar.
         Não se oferece sentido para quem se deseja explorar. Ao explorado se procura, na verdade, tirar tudo. E assim essa terra foi sugada, dilapidada, desconstruída em seus símbolos até sangrar e chegar a ter como signo máximo a própria exploração, e um complexo de inferioridade do qual se padece hoje de forma medular. No interior do brasileiro se articulam falas e imagens de um Brasil que jamais dará certo. É o famoso complexo de vira-lata. E ele está mais enraiza…

O Papa Francisco se preocupa com a situação política do Brasil. Será que ele está sozinho?

Imagem
Nos últimos dois meses, de fontes diversas e confiáveis, ignoradas solenemente pela mídia golpista, ficamos sabendo da preocupação do Papa Francisco com a situação política do nosso país. (Aliás, desde o início do ano passado o pontífice já teria se manifestado várias vezes junto a órgãos da igreja católica no Brasil acerca de sua apreensão com o desenrolar da crise política e econômica).
No final de abril, o escritor argentino Adolfo Pérez Esquivel, prêmio nobel da paz em 1980, revelou, em entrevista ao jornalista Darío Pignotti, do jornal Página 12, que levou à presidenta Dilma Rousseff o apoio do Papa Francisco: “o papa Francisco está muito preocupado com o que está acontecendo no Brasil; tudo isso vai trazer consequências negativas para toda a região e teremos um grave retrocesso democrático”.
Ainda, segundo Esquivel, numa conversa sobre os acontecimentos no Brasil, o Papa afirmou que o impeachment não passa de um golpe brando. O papa também teria lhe dito que Dilma é uma mulher hon…