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Mostrando postagens de Fevereiro, 2016

MARILENA CHAUI: VIOLÊNCIA E AUTORITARISMO SÃO AS MARCAS DA SOCIEDADE BRASILEIRA

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Da Revista Cult
Desde o início dos anos 1980, Marilena Chaui tem proposto como chave de leitura de nosso país a ideia de que a sociedade brasileira é autoritária e violenta. Em obras como Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas, de 1981 (que será reeditado em seus Escritos, publicados pela Editora Autêntica), a filósofa contraria a imagem de uma cultura nacional pretensamente formada pelo acolhimento recíproco e pela cordialidade, revelando estruturas enraizadas de hierarquização e de sedução pela autoridade.

Não se trata, porém, de considerar os brasileiros como individualmente violentos. Trata-se de esclarecer as estruturas históricas que produzem uma vida social em que o espaço público e republicano é minguado, transferindo-se ao Estado o papel de sujeito da cidadania e reproduzindo-se, no cotidiano, relações de poder.
Essa chave de leitura permanece, aos olhos de Marilena Chaui, extremamente atual para analisar o momento vivido pelo Brasil. Apesar dos percalços éti…

Índios e campesinos são as principais vítimas de violações de direitos no Brasil

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A violência no campo foi um dos pontos negativos registrados no Brasil pelo relatório anual da Anistia Internacional



Por Flávia Villela, Da Agência Brasil Indígenas e defensores de direitos humanos nas regiões rurais foram os grupos que mais sofreram violações de direitos humanos no Brasil em 2015, segundo o diretor executivo da Anistia Internacional, Atila Roque. A entidade divulgou hoje (23) seu relatório O Estado dos Direitos Humanos no Mundo – 2015.
“Eles são extremamente invisibilizados neste país. Vivemos uma situação de enorme conflito no campo brasileiro, de grande patamar de violência, inclusive letal, contra defensores de direitos humanos, lideranças indígenas, camponeses, quilombolas, que confrontam interesses de toda ordem, desde grandes proprietários a grandes empresas mineradoras ou do agronegócio, que acabam fazendo uso da violência para impor seus interesses e isso passa praticamente desapercebido pelasociedade”.
A violência no campo foi um dos pontos negativos registrados…

Violência e crise

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Desde 2013, presenciamos, não somente no Brasil, mas em várias partes do mundo, sinais de uma crise que, a rigor, pode apontar algo muito mais profundo, ou seja, o esgotamento do modelo capitalista. Esse esgotamento pode ser percebido em várias dimensões: colapsos do ecossistema, da política institucional, da economia baseada na especulação e no rentismo, das instituições tradicionais (família, escola, religiões)...
Quando analisamos a realidade sociopolítica brasileira nos últimos anos observamos que o modelo de desenvolvimento iniciado no governo Lula (baseado na exportação de commodities, no acesso facilitado ao crédito - e consequente endividamento popular em grande escala -, no consumo de massa - puxado por uma descomunal e caótica expansão urbana) só foi possível pelo poder de compra do mercado chinês, que subverteu todo o metabolismo do capitalismo global. Dito de outra forma, a circulação desenfreada e sem lastro de dinheiro foi a tábua de salvação do capitalismo na última déca…

A banalização da vida no Brasil

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Nossa cultura punitiva, repressiva e pouco vocacionada para a proteção da vida, principalmente da vida dos grupos mais vulneráveis, invisibiliza e naturaliza essa carnificina. E, quando esporadicamente o problema aparece na agenda pública, principalmente em ocasiões propícias para a exploração seletiva do fenômeno, buscam-se soluções draconianas: recrudescimento da legislação penal; mais aparato repressivo; adensamento das prisões. Se essas medidas resolvessem, o Brasil seria um oásis de paz e prosperidade.

Fonte:
Título: A sociedade incapaz
Veículo: O Tempo - Belo Horizonte - MG - Tiragem:49273
Caderno: 1º Caderno - Página: 19
Data Publicação: 24-02-2016 - 382cm²Link direto: http://clipping.ideiafixa.com.br/site/clippingDiario.php?clienteId=81&noticiaId=406514&access=e43d7b3ff848e20552ae6992c2d62f9e 

A VIAGEM DO PAPA AO MÉXICO E O SILÊNCIO DA MÍDIA E DOS PODEROSOS

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Nesta semana, pouco vimos e ouvimos falar da viagem do Papa Francisco ao México. Francisco tem incomodado por demais os poderosos, com gestos, palavras e ações. E a mídia, serviçal dos "donos do mundo", começa a boicotar, de variadas formas, o Papa que prega, sem temor, que um mundo melhor só é possível se superarmos os abismos que separam os poucos ricos e opulentos dos bilhões de pobres, excluídos; "os descartáveis" do capitalismo concentrador de renda e riqueza. 
Nessa viagem, a começar pela passagem por Cuba para o encontro com o Patriarca de Moscou, Francisco explicitou mais uma vez, com palavras e gestos, o desejo de uma Igreja pobre com os pobres.
Foram muitos os momentos cheios de afeto vividos pelo e com o Papa. Num hospital, Francisco se emocionou com o canto da "Ave Maria", em latim, por uma menina com câncer. Noutro momento marcante, acolheu no altar portadores de deficiências. Foi numa prisão e presidiu uma missa com migrantes. 
O último comprom…

Cidadania nas Ruas e nas Redes: o fim dos autos de resistência

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Uma resolução conjunta do Conselho Superior de Polícia, órgão da Polícia Federal, e do Conselho Nacional dos Chefes da Polícia Civil, publicada em 04 de janeiro de 2016, no Diário Oficial da União, aboliu o uso dos termos "auto de resistência" e "resistência seguida de morte" nos boletins de ocorrência e inquéritos policiais em todo o território nacional. 



Segundo o professor Robson Sávio, o fim dos autos de resistência é uma reivindicação antiga de grupos de defesa de direitos humanos. Ele faz uma reflexão sobre esta conquista que, ainda pequena, sinaliza para uma mudança de realidade, pois é grande o número de mortes de pessoas vítimas de ações policiais no Brasil.

Ouça o áudio na Rádio Sinpro, clicando AQUI.

João Paulo Cunha: Com medo de gente

O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB-MG), por palavras e atitudes, tem demonstrado ao longo dos anos uma incapacidade de entender o cidadão comum. Por João Paulo Cunha*
O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), por palavras e atitudes, tem demonstrado ao longo dos anos uma incapacidade de entender o cidadão comum. Já aconselhou ao usuário do transporte público que evite ônibus cheio, esperando a próxima condução, que certamente circulará mais vazia. Na sua lógica de administrador, quem se aperta a outros trabalhadores para voltar para casa é apressado ou imbecil. Em outro incontido jorro de insensibilidade, ironizou as vítimas de enchentes em BH dizendo que a “prefeitura deveria ter sido um pouco mais babá dos cidadãos”.
A última medida emanada na burrice afetiva do alcaide foi anunciar a proibição de isopor para venda de bebidas nas ruas da cidade. O ato de Lacerda evidencia outra faceta de seu caráter, o desprazer da convivência. Essas e outras medidas de fundo e…

SOBRE A IMPOSTERGÁVEL REFORMA DO SISTEMA DE JUSTIÇA DA CASA GRANDE

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Agora que o ano novo começou - depois de passadas as festas momescas a comprovarem que a grande crise é fabricação dos abutres de sempre -, podemos tratar de algo substantivo.
Estruturada durante a ditadura militar, foi a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 que consolidou-se, paulatinamente, uma casta jurídica no Brasil, formada por parte significativa de juízes, promotores, tabeliães, delegados de polícia, outros operadores do direito e bancas de advogados associados a essas estruturas de poder. E não é por acaso (ou desejo de melhoria institucional), que muitas polícias militares, nos últimos anos, determinam que seus oficiais façam, obrigatoriamente, o curso de direito. Os militares perceberam quepara manter alguns de seus privilégios no atual contexto do fantasioso “estado democrático de direito”, o mais inteligente seria integrar a famosa "carreira jurídica de estado".
O fortalecimento dos privilégios de classe, sua legalidade e institucionalidade, robu…