Postagens

Mostrando postagens de 2016

Feliz ano velho: 2017 tem tudo para ser pior.

Imagem
Não pretendo ser mais realista que o rei. Mas, não adianta entrarmos nesse clima infantilizado de final de ano. Achar que num passe de mágica as pessoas, o mundo, os golpistas mudarão. Acreditar que com crendices, rezas e rituais teremos a intervenção cósmica, ou divina, a resolver milagrosamente os nossos problemas sociais, políticos, econômicos...
Entendo que um pouco de ilusão, fantasia e fuga da realidade tornam-se ingredientes importantes para suportar a dureza da vida e dos fatos. 
Nessa época, o final de ano, há uma “tentação” de acharmos que os milagres existem (a começar pelo fantasioso papai Noel). Ou que vale apostar todas as fichas numa esperança de esperar (que tudo mude para melhor, sem esforço pessoal e comunitário) ao invés de esperançar-se (ou seja, juntar-se com os outros para fazer algo diferente). Esse clima produz sujeitos passivos, poliqueixosos e irresponsáveis, à medida que a solução para os problemas do cotidiano são transferidos para o outro; ou são direcionado…

A atual fase do golpe e suas faces

Imagem
Um golpe sempre produz gravíssimas rupturas de ordens institucional, jurídica, econômica e social. E esse golpe tem um agravante: diferentemente da ditadura civil-militar, quando os militares assumiram o controle, enquadrando as demais instituições (para gerar alguma estabilidade, pela força), o que vemos agora é uma luta fratricida entre os três poderes pelo controle do golpe.
As consequências das rupturas democráticas aparecem de variadas formas (disputa entre poderes, instabilidade das instituições, experimentos de golpes dentro do golpe...). Nas tentativas de contorna-las, os golpistas sempre abrem novas frestas a indicarem que “remendos novos em panos velhos” só servem para tamponar momentaneamente o caos.
Todos sabemos que o golpe no Brasil é patrocinado pelos Estados Unidos, especificamente pela Wall Street (o rentismo financeiro internacional). Apesar de as eleições americanas terem consagrado justamente a Main Street (o setor produtivo), na figura de Donald Trump, o capital esp…

Direitos Humanos: ainda resta longo caminho...

Imagem
Dignidade está relativizada pela classe social e não pela condição humana. (Divulgação)
Direitos humanos ainda são violados e as políticas públicas voltadas para a ampliação da cidadania ainda são insuficientes. Foi após a Constituição Federal de 1988 que observamos a inclusão dos direitos humanos nas leis gerais, nos planos de governo e na implementação de políticas públicas em nosso país. Direitos Humanos se referem a todos os direitos: civis, políticos, sociais, culturais. E de todas as pessoas, classes, etnias, orientações sexuais... No campo da educação, por exemplo, contemplando a temática relativa aos direitos humanos, podemos citar como avanços importantes, o Plano Nacional de Educação, os Parâmetros Nacionais Curriculares, a Matriz Curricular da Educação Básica e a Lei 10.639/2003, que alterou as diretrizes e bases da educação nacional e incluiu no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-brasileira.  Graças à Constituição, a co…

Juristocracia que respaldou o golpe quer dar um novo golpe

Imagem
Nas democracias, a mudança do poder político só é legítima pela via eleitoral. Golpe é a mudança do poder político, de forma repentina, sem a deliberação ou o respaldo popular.
Em 1964, o movimento golpista se deu, com violência; e o protagonismo foi dos militares. Em 2016 (com violência simbólica), o aparente protagonismo do parlamento no golpe só foi possível pelo evidente respaldo do judiciário. Em ambos os casos, mídia e setor financeiro foram os avalistas das rupturas democráticas.
Vamos agora a outro ponto e sem rodeios. Os poderes executivo e legislativo, por mais complexos e corruptos que sejam, estão referenciados e respaldados no voto popular. Políticos estão no poder hoje; podem não estar amanhã. Dependem e se submetem à vontade do cidadão/eleitor.
Por outro lado, juízes, promotores, policiais não têm mandato. Chegam  ao poder sem respaldo popular. Talvez, por isso, sintam-se distantes do povo (seus valores, necessidades e desejos).

Individualmente, existem excelentes juízes, …

Professores da PUC Minas reiteram apoio à ocupação na Universidade

À Comunidade Acadêmica da  Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. 
Nós, professores da PUC Minas abaixo assinados, vimos reiterar nosso concreto apoio aos estudantes desta universidade que, de forma madura e responsável, se engajam na pauta de reivindicações do Movimento de Ocupação de Escolas e Universidades, no atual momento político do Brasil. 

Declaramos que os estudantes da PUC Minas que assumem a ocupação do prédio 47 do campus Coração Eucarístico têm demonstrado, desde o início, profunda responsabilidade e respeito para com todos que ali trabalham e transitam, além de forte zelo no que concerne ao espaço físico do prédio ocupado. 

Como pode ser constatado in loco, o referido prédio encontra-se limpo, não apresenta obstáculos intransponíveis para o trânsito daqueles que por ali circulam nem perturbações que signifiquem o impedimento da realização das aulas e de outras atividades acadêmicas e administrativas que, no local, sejam desenvolvidas. 

Além de apoiarmos a causa pol…

MANIFESTO DA PASTORAL DA JUVENTUDE DA ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE SOBRE O MOMENTO POLÍTICO ATUAL

Imagem
NENHUM DIREITO A MENOS
Belo Horizonte, 21 de novembro de 2016. “Caminhar pelas estradas seguindo a ‘loucura’ do nosso Deus, que nos ensina a encontrá-Lo no faminto, no sedento, no maltrapilho, no doente, no amigo em maus lençóis, no encarcerado, no refugiado e migrante, no vizinho que vive só. Caminhar pelas estradas do nosso Deus, que nos convida a ser atores políticos, pessoas que pensam, animadores sociais; que nos encoraja a pensar uma economia mais solidária. Em todos os campos onde vos encontrais o amor de Deus convida-nos a levar a Boa Nova, fazendo da própria vida um dom para Ele e para os outros.”
(Papa Francisco, Cracóvia, Campus Misericordiae, 30/07/2016)
A Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Belo Horizonte manifesta sua posição a respeito do momento político pelo qual atravessa o Brasil. Percebemos que muitos avanços e conquistas das lutas do povo brasileiro, no sentido de reduzir a desigualdade social e a pobreza, foram abandonados a partir do golpe legislativo apoiado…

Os micropoderes feministas de uma revolução silenciosa

Imagem
Há algo fantástico acontecendo nesse país, mais uma vez dominado por uma camarilha patriarcal e patrimonialista, sem ética e pudor. Vejo uma enorme resistência que se alastra através da força, da coragem e da garra feminina.
Nos últimos dias, acompanhei algumas ocupações estudantis. Participei de seminários com membros doMovimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), doMovimento de Mulheres Olga Benário, daUnião da Juventude Socialistae doLevante Popular da Juventude. O que se destaca nesses movimentos? A presença e a liderança das mulheres.
É incrível ouvir, ver e sentir a ação política de mulheres, majoritariamente jovens, de todos os credos, etnias e orientações sexuais na articulação de movimentos que transcendem as organizações tradicionais da sociedade (partidos, corporações, sindicatos, igrejas, escolas).
Nesses movimentos, percebe-se com clareza como as mulheres têm uma extraordinária capacidade de agregar e unir forças, uma enorme resiliência para enfrentar com fé, afeto…

Professores da PUC Minas manifestam-se a favor das ocupações, contra PEC 55, reforma do ensino médio e escola sem partido

Imagem
Em Assembleia ocorrida na noite desta terça-feira, 08.11, professores da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) aprovaram por unanimidade um manifesto a favor das ocupações estudantis, e contra a PEC 55, a reforma do ensino médio e o projeto escola sem partido.
No documento, os docentes informam que  "decidimos trazer a público este manifesto, em que apresentamos a posição unânime dos professores presentes, relativamente à ocupação estudantil nesta Universidade, bem como acerca das razões que embasam movimentos semelhantes em todo o País: não podemos nos omitir em face dos graves riscos e consequências que se delineiam com a tentativa, por parte do Governo Federal, de que seja aprovada a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55/2016, que se encontra no Senado, tendo recebido o parecer de inconstitucional pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas da Consultoria Legislativa da casa, após aprovada na Câmara dos Deputados, como PEC 241."
Numa defesa à educação, os…